A atuação em Conselhos de Administração vem ganhando cada vez mais espaço nas reflexões de executivos que se aproximam de um novo ciclo profissional. Com carreiras mais longas, empresas enfrentando desafios mais complexos e a governança ocupando um papel estratégico nas organizações, cresce o interesse de CEOs, diretores e vice-presidentes por uma atuação que vá além da gestão executiva.
Esse foi o tema do Conexão Carreira, promovido pela Cornerstone Career Services, que recebeu Sergio Braz Junior, executivo, conselheiro e parceiro da Cornerstone, para compartilhar sua experiência sobre a transição da liderança executiva para a atuação em Conselhos.
Ao longo da conversa, uma mensagem ficou clara: tornar-se conselheiro não é uma consequência natural de uma carreira executiva bem-sucedida. É uma nova carreira, com competências, responsabilidades e desafios próprios.
Durante muito tempo, existiu a percepção de que uma cadeira em Conselho seria quase uma etapa automática para quem ocupou posições de CEO ou diretor em grandes organizações. O mercado, no entanto, evoluiu. Hoje, além da experiência executiva, os Conselhos procuram profissionais capazes de contribuir para discussões estratégicas, fortalecer a governança, ampliar perspectivas e apoiar a tomada de decisão em um ambiente de negócios cada vez mais complexo.
Essa mudança também acompanha a transformação do próprio papel dos Conselhos. Questões relacionadas à transformação digital, inteligência artificial, cibersegurança, ESG, gestão de pessoas, inovação, riscos e sucessão passaram a ocupar a agenda das organizações e exigem colegiados cada vez mais preparados e multidisciplinares.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a diversidade de competências nos boards. Levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostra que as empresas vêm ampliando, ainda que lentamente, a diversidade em seus órgãos de administração, impulsionadas por novas exigências regulatórias e pela compreensão de que diferentes experiências e perspectivas contribuem para decisões mais qualificadas.
Essa evolução reforça um ponto destacado por Sergio Braz durante o encontro: a experiência continua sendo um ativo extremamente valioso, mas ela precisa ser acompanhada de atualização constante e de uma compreensão profunda sobre governança corporativa.
Da operação para a estratégia
Talvez a maior mudança para quem faz essa transição esteja menos no currículo e mais na forma de atuar.
Durante décadas, executivos são reconhecidos por sua capacidade de decidir, executar, liderar equipes, entregar resultados e responder rapidamente aos desafios do negócio.
No Conselho, a lógica é diferente.
O papel do conselheiro não é assumir a operação, nem substituir a gestão executiva. Sua contribuição acontece por meio da visão estratégica, da análise de riscos, do acompanhamento da execução da estratégia, da sucessão da liderança e da qualidade das decisões tomadas pela organização.
É uma mudança significativa de perspectiva.
Enquanto o executivo costuma ser valorizado pelas respostas que oferece, o conselheiro frequentemente agrega valor pelas perguntas que faz.
Construir uma carreira em Conselhos começa muito antes da primeira cadeira
Outro aspecto importante abordado por Sergio foi que poucos profissionais chegam a um Conselho apenas pela trajetória executiva.
Assim como acontece em qualquer movimento de carreira, reputação, relacionamento e posicionamento profissional desempenham um papel fundamental.
A construção dessa trajetória começa muito antes da primeira oportunidade.
Participação em fóruns de governança, relacionamento com outros conselheiros, presença em associações empresariais, formação específica, atualização constante e envolvimento com temas relevantes para o mercado passam a fazer parte do desenvolvimento profissional de quem pretende atuar em Conselhos.
Em outras palavras, não se trata apenas de esperar que o mercado reconheça uma carreira construída ao longo de décadas.
É preciso demonstrar que essa experiência continua atual, relevante e preparada para contribuir em um novo contexto.
Governança também se aprende
Outro equívoco recorrente é imaginar que uma carreira executiva sólida substitui o conhecimento específico sobre governança.
Embora exista uma transferência importante de experiência, atuar em um Conselho exige domínio de conceitos, responsabilidades e práticas próprias desse ambiente.
Aspectos como deveres fiduciários, relacionamento entre Conselho e diretoria executiva, dinâmica dos colegiados, gestão de riscos, compliance, estratégia de longo prazo e avaliação de desempenho do próprio Conselho fazem parte da rotina de um conselheiro.
Por isso, programas de formação em governança corporativa vêm ganhando espaço entre executivos interessados nessa transição, contribuindo para complementar a experiência prática com conhecimento técnico sobre o funcionamento dos Conselhos.
Uma carreira que acompanha a longevidade profissional
O aumento da expectativa de vida e o prolongamento das carreiras executivas também mudaram a forma como muitos líderes enxergam os próximos capítulos da vida profissional.
Hoje, é cada vez mais comum que executivos conciliem diferentes formas de atuação: Conselhos de Administração, Conselhos Consultivos, mentorias, investimentos, consultorias e participação em novos negócios.
Não se trata de substituir uma carreira por outra.
Trata-se de ampliar as formas de gerar valor.
Nesse contexto, atuar em Conselhos representa uma oportunidade de colocar décadas de experiência a serviço de diferentes organizações, contribuindo para decisões estratégicas sem necessariamente assumir novamente a liderança operacional de uma empresa.
Como destacou Sergio Braz durante o encontro, a transição para um Conselho não significa o encerramento da carreira executiva, mas a construção de uma nova identidade profissional — uma atuação baseada menos na execução e mais na capacidade de influenciar, provocar reflexões e apoiar o desenvolvimento sustentável das organizações.
Uma conversa que continua
A profissionalização dos Conselhos de Administração deve continuar avançando nos próximos anos, acompanhando as transformações do ambiente empresarial e as crescentes demandas por governança, diversidade de competências e visão estratégica. Para executivos que desejam construir esse caminho, compreender as exigências dessa atuação e iniciar essa preparação com antecedência pode fazer toda a diferença.
Para aprofundar esse debate, a Cornerstone está conduzindo a Board Survey 2027, uma pesquisa que reúne a percepção de conselheiros e executivos sobre os desafios, tendências e perspectivas para os Conselhos de Administração na América Latina.
Sua participação é fundamental para ampliar essa discussão e contribuir para o desenvolvimento da governança na região.
Participe da pesquisa: https://deltacornerstone.cornerstone.com.co/board-survey/


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